Brand vs. Performance: Reequilibrando a Balança para um Crescimento Sustentável em 2025

Introdução
Uma das discussões mais acaloradas nos últimos anos no mundo do marketing tem sido o equilíbrio entre Brand e Performance. Onde as empresas devem concentrar seus esforços? A resposta, embora complexa, começa com um entendimento fundamental: marca não é o oposto de performance, mas sim o que a sustenta.
A Importância Crescente da Marca
Recentemente, um diretor do Meta destacou um dado relevante do estudo BrandZ: nos últimos 10 anos, a diferença de crescimento entre marcas fortes e o mercado praticamente dobrou. Isso significa que construir uma marca sólida é cada vez mais crucial para obter uma vantagem competitiva na performance dos negócios.
A lógica é simples: equilibrar a captura da demanda atual com a construção da demanda futura. Vender para quem já está pronto para comprar e, ao mesmo tempo, garantir que sua marca seja lembrada por aqueles que comprarão no futuro. A verdadeira balança reside entre os esforços voltados para educar, gerar confiança e conexão, e os esforços em gerar vendas imediatas.
O Desequilíbrio Atual
Nos últimos anos, impulsionados pela corrida pela digitalização, a balança pendeu fortemente para o lado da ativação imediata de vendas. A construção de marca, em muitos casos, foi vista como um luxo e até mesmo ameaçada de extinção. Um estudo recente revelou que entre 60% e 80% das lideranças globais planejam investir mais em “performance” do que em Branding.
Panorama Brasileiro: Onde Estamos?
Com base no último Panorama de Marketing e Vendas da RD 2025, podemos estimar como essa balança se apresenta em diferentes segmentos no Brasil:
| Segmento | Reconhecimento de Marca (%) | Geração de Demanda de Vendas (%) | Balança estimada Marca/Vendas |
|---|---|---|---|
| Saúde e Estética | 29% | 22% | 57/43 |
| Varejo | 31% | 30% | 51/49 |
| E-commerce | 29% | 29% | 50/50 |
| Industrial | 25% | 38% | 40/60 |
| Imobiliário | 24% | 42% | 36/64 |
| Educação e Ensino | 19% | 41% | 32/68 |
| Financeiro e Jurídico | 12% | 32% | 27/73 |
| Software e Cloud | 19% | 57% | 25/75 |
Esses dados revelam que, em muitos setores, a prioridade está na geração de demanda de vendas em detrimento do reconhecimento de marca.
A Urgência de Reequilibrar
Se almejamos um mercado saudável e marcas mais resilientes, é crucial restabelecer o equilíbrio entre construção de marca e ativação de vendas. O foco excessivo em vendas no curto prazo pode parecer eficiente, mas, com o tempo, o público se esgota, o custo de aquisição aumenta e a marca perde relevância. Como bem disse Gabriel Barboza, “Todo mundo quer gelo, mas ninguém quer encher a forminha.”
Não é coincidência que os segmentos mais voltados à “performance” sejam justamente aqueles que enfrentam os maiores desafios de aquisição e que planejam reduzir seus investimentos em mídia. Esse modelo não se sustenta a longo prazo. Ele drena recursos, pressiona as equipes e enfraquece o valor da marca, criando um ciclo vicioso que prioriza os resultados imediatos em detrimento da saúde do negócio no futuro.
Estratégias para o Equilíbrio
Toda iniciativa que contribua para corrigir esse desequilíbrio é válida. Seja através da adoção de regras simples, como a alocação de 60% dos recursos para branding e 40% para performance (a regra 60:40), ou através de discussões contínuas e aprofundadas sobre o tema. O importante é que o mercado compreenda a necessidade de investir tanto na construção da marca quanto na ativação de vendas.
Conclusão
O equilíbrio entre Brand e Performance não é apenas uma tendência, mas uma necessidade para garantir a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo das empresas. Ao investir em ambos os aspectos, as marcas podem construir uma base sólida de clientes leais e, ao mesmo tempo, impulsionar suas vendas e resultados.