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BRANDING

A Nova Era da Relevância da Marca: Caminhos para a Sustentabilidade de Longo Prazo

alexandreviola · junho 17, 2025

No universo dinâmico do marketing, é inegável que os cenários e prioridades estão mudando. A construção de marca deixou de ser apenas um discurso bonito para assumir o papel de urgência estratégica no ambiente de negócios – a performance da marca se tornou um imperativo para quem busca relevância e competitividade. Uma pesquisa recente aponta que, na América Latina, o Brand Awareness será a principal prioridade dos líderes de marketing no próximo ano. Ignorar essa tendência implica riscos graves: perda de competitividade, de participação de mercado e, principalmente, de espaço na mente e no bolso dos consumidores.

O Desequilíbrio Atual
Apesar do reconhecimento da importância do branding, o investimento real das empresas ainda se concentra desproporcionalmente no curto prazo – na busca por vendas imediatas, conversões mensais e um ROAS (Retorno sobre o Investimento em Anúncios) atrativo. Mas essa obsessão por resultados imediatos não sustenta o crescimento de longo prazo. Em outras palavras, a balança dos investimentos ainda está fortemente inclinada para a performance no presente, às custas da construção de uma marca que possa gerar valor futuro.

Três Fatores que Contribuem para o Desequilíbrio

  1. A Corrida Pela Performance na Era Digital
    A digitalização acelerou uma busca quase irracional por métricas de performance. Hoje, somos viciados em last click, dashboards e atribuições que mostram apenas uma parte da verdade. Essa obsessão por números fáceis de medir frequentemente coloca em segundo plano o que realmente gera valor: a construção e fortalecimento da marca a longo prazo.
  2. O Vício do Crescimento Rápido
    Durante a revolução digital, o foco era capturar a demanda o mais rápido possível – quem corria ganhava terreno. Esse modelo de “crescer a qualquer custo” era crucial numa fase de rápida conquista de mercado. Entretanto, à medida que o mercado amadurece, a ênfase deve mudar para a “rentabilidade com consistência”, pois a demanda não é infinita e o crescimento acelerado, sem a construção de uma base sólida, pode se tornar insustentável.
  3. Os Desafios de Medir o Valor da Marca
    Ao contrário de métricas bem definidas como CAC, LTV e churn, medir o valor de uma marca ainda se assemelha a uma ciência complexa – quase como um “rocket science”. Diferentes consultorias, pesquisas e boards têm abordagens variadas, o que resulta em múltiplas metodologias. Por exemplo, na categoria de Brand Valuation, existem mais de 52 métodos distintos registrados (Salinas, 2009). Essa falta de consenso dificulta a mensuração e, consequentemente, o investimento estratégico adequado.

Como Medir o Valor de Uma Marca?
Para oferecer uma visão mais estruturada, podemos categorizar as abordagens em quatro métodos principais, cada um direcionado a responder perguntas específicas:

  • Brand Valuation
    O que mede: O valor financeiro da marca.
    Quando usar: Em processos de fusões e aquisições, licenciamento ou reestruturação.
    Exemplo: Fluxo de Caixa Descontado (DCF).
  • Return on Brand Spend (ROBS)
    O que mede: O retorno sobre os investimentos feitos na construção da marca.
    Quando usar: Para justificar e otimizar a alocação dos orçamentos de marketing.
    Exemplo: Modelagem de Mix de Marketing (MMM).
  • Brand Equity
    O que mede: A força e a percepção da marca no mercado.
    Quando usar: Para orientar decisões relativas ao portfólio, segmentação e posicionamento da marca.
    Exemplo: Monitoramento da Saúde da Marca (Brand Health Tracking).
  • Efetividade de Ações
    O que mede: O impacto de ações específicas sobre a percepção da marca.
    Quando usar: Para avaliar campanhas e iniciativas pontuais.
    Exemplo: Medição de Brand Lift.

Refletindo para o Futuro
O ambiente de marketing exige hoje uma visão de longo prazo que combine a urgência das vendas com a necessidade de construir e manter uma marca forte. Enquanto a corrida por resultados imediatos pode produzir ganhos rápidos, ela negligencia a criação de valor duradouro e a diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo. Adaptar-se a essa nova era significa restabelecer o equilíbrio, valorizando tanto as iniciativas que impulsionam vendas imediatas quanto aquelas que constroem a marca e garantem sua relevância no futuro.

Conclusão
A nova era da relevância de marca nos convoca a repensar a forma de investir em marketing. É imperativo que gestores e equipes de marketing ajustem seus esforços para não apenas conquistar o consumidor do hoje, mas também garantir que a marca permaneça viva e forte para as gerações futuras. Ignorar essa mudança pode custar caro em termos de competitividade e presença de mercado. Investir na medição correta e na estratégia equilibrada é o caminho para um crescimento sustentável e uma performance de marca verdadeiramente eficaz.

Referências

  1. Salinas, G. (2009). Brand Measurement: Desafios e Metodologias.
  2. Estudos e insights do setor de marketing digital modernos.
  3. Pesquisas recentes sobre Brand Awareness na América Latina, destacando a prioridade dos líderes de marketing para o próximo ano.
  4. Publicações sobre a evolução do marketing digital e a mudança de paradigma do “crescer a qualquer custo” para “rentabilidade com consistência”.

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